Burnout

Burnout se tornará doença ocupacional em 2022

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OMS declara Burnout como doença ocupacional a partir de 01 de janeiro de 2022.

O Transtorno de Burnout que atualmente é reconhecido pela OMS como uma síndrome oriunda das relações de trabalho, recebrá a CID 11 e será classificado como doença a partir do primeiro dia do ano de 2022.

Preparamos um artigo explicando como identificar os sintomas, as etapas e o tratamento para Síndrome de Burnout e o que mudará para as empresas após a nova classificação da OMS.

O que é Burnout?

Com etimologia inglesa: burn = queimar, out fora. A palavra Burnout  significa: queimar-se por completo.

Denominada pelo psicanalista Freudenberger em 1970, a Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional, foi por muitos anos considerada um transtorno psicológico oriundo das relações de trabalho.

Freudenberger articulava que relações de trabalhos nocivas, com sobrecargas de função, desrespeito e jornada muito extensa, levava as pessoas a se esgotarem por completo. Este esgotamento, passou a desencadear crises depressivas, de ansiedade, de pânico, sobrepesos e estresse crônico em inúmeros colaboradores.

Por possuir sintomas e condições tão próximas de variadas doenças psíquicas, a Organização Mundial da Saúde (OMS) comunicou que a partir de janeiro de 2022, Burnout será classificada como doença ocupacional correspondente ao quadro de CID 11.

Qual a relação do Burnout com o trabalho?

Como citado no parágrafo acima, Burnout tem relação direta com o ambiente laboral e se dá em razão de uma intensa carga de trabalho e estresse.

Muitas vezes confundido com o transtorno de ansiedade em razão da semelhança dos sintomas, precisamos entender que há diferença entre ambos.

O transtorno de ansiedade pode ser desencadeado por inúmeras causas, em qualquer ambiente e na idade infantil ou adulta. O Burnout, por sua vez, só se desenvolve através do ambientel laboral, e por muitas vezes acomete pessoas com mais de 18 anos, pois são aquelas que compõem o mercado de trabalho. 

Quais os fatores desencadeiam o Burnout?

As causas que promovem Burnout estão presentes na rotina de quase todos os trabalhadores, mas se tornam perigosas quando há estímulos demasiados de alguns  pontos como os descritos abaixo:

  • Excesso de carga horária: é comum que em determinado projeto ou época do mês seja necessário se prolongar 30 min a mais do horário de trabalho. Este fato por si só não é capaz de se tornar um gatilho para a Síndrome do Esgotamento Profissional.

    No entanto, se estender por 2h após o fim do expediente, levar serviço para casa e se abdicar da vida pessoal, pode se tornar um fator que a longo tempo, levará a pessoa a ums sobrecarga de estresse.

  • Prazos de entrega curtos: as atividades executadas possuem um período médio para sua produção, este tempo serve como norteador e precisa ser respeitado tanto por quem delega quanto por quem executa a tarefa.

    Definir um prazo coerente entre o profissional que executará a atividade e o trabalho a ser feito, pode poupar estresse, ansiedade e consequentemente evitar um gatilho que pode contribuir para a Síndrome do Esgotamento Profissional. 

  • Insegurança quanto a estabilidade: este tópico é um fantasma que assombra inúmeros funcionários celetistas.

    Quando a empresa atua sem a cultura de feedback, participação dos colaboradores nos resultados, apresentação de indicadores, capacitações e outras ações que promovem uma segurança ao colaborador, é comum que os funcionários se sintam caminhando de olhos vendados, sentindo que a qualquer momento podem ser desligados da organização.

    Este medo e sensação de desconhecido promove uma insegurança que por muitas vezes quando somadas a outros pontos dessa lista resulta-se em um Burnout.

  • Aumento de trabalho e falta de clareza: distribuir mais demandas para alguns colaboradores e não ser objetivo quanto ao que quer deseja, desperta ansiedade, insegurança e estresse.

    O aumento de trabalho precisa respeitar o temmpo de prazo e capacidade de desempenhar a função exigida. Caso o contrário o colaborador irá se sobrecarregar e entrar no limbo da procrastinação e autocobrança. 

  • Chefes abusivos: se você tem medo de ir ao médico, fazer algum exame de rotina, não cumpre seu horário de almoço ou fica 100% ligado ao celular com medo de surgir um demanda e não ver, saiba que você pode estar em uma relação de trabalho abusiva e plantando a semente de Burnout na sua vida.
  • Horário comercial não respeitado: mensagens por whatsapp fora do horário comercial, aos fins de semana e feriados, podem dificultar o descanso dos colaboradores e sabemos que a ausência de descanso resulta-se em pontos já abordados aqui: como falta de foco, desempenho, cansaço que levam ao Burnout. 

Sintomas de Burnout

  • Sensação de esgotamento: cansaço constante e estafa mental são um dos primeiros indícios de Burnout, afinal o cansaço acompanha o colaborador em todos os lugares e eventos, não só no trabalho.
  • Cinismo e desapego: quando não há muito engajamento do profissional nas atividades a serem realizadas, falta de vontade energia para realizar demandas que se considera bom em cumprir. Além disso, é comum que os profissionais apresentem pessimismo com as atividas que cumpria ou irá cumprir e se mantenha mais isolado da equipe que trabalha.
  • Eficácia profissional reduzida: em razão do cansaço é comum que o trabalhador comece a apresentar baixo desempenho em suas atividades.

Fases da Síndrome de Burnout

Assim como transtornos e demais doenças, o Burnout tem suas fases mais brandas e mais severas. Vejamos cada etapa. 

Primeira fase: hiperprodutividade

Em primeiro lugar, temos a fase que passa despercebida pela maioria das pessoas, pois aparentemente soa como algo positivo, que é a fase da hiperprodutividade. 

O colaborador passa a entregar tudo dentro do prazo ou até de forma antecipada, se envolve em novos projetos e se dedica com energia às suas funções apresentando uma excelente performance. 

Certamente, em razão do foco e disposição 100% voltados ao trabalho, é comum que nesta fase, o trabalhador se isole dos eventos sociais e fique indisponível para outras demandas que não estejam relacionadas às atividades profissionais.

Segunda fase: agressividade

Posteriormente, passamos por uma fase muito fácil de identificar, pois neste momento há um grau de irritação elevado do empregado. A irritabilidade, falta de paciência, sensibilidade aos sons e aos cheiros passam a acompanhar o dia a dia desses profissionais. Insônia e disfunções alimentares também apresentam sinais nesta etapa da Síndrome do Esgotamento Profissional.

Terceira fase: exaustão

Por fim, chegamos na fase da exaustão que é oposta a fase número 1. Aqui, há uma enorme dificuldade de executar tarefas simples. Raciocínio lento, estafa mental, falta de concentração, memória fraca e dificuldade de articular ideias começam a ser acontecimentos de praxe. 

Além disso, há um enorme medo de perder o emprego que leva a um ciclo infinito do transtorno. Isso porque a improdutividade potencializa o medo de um possível desligamento e o desligamento potencializa o quadro de estresse do colaborador. 

Por muitas vezes, quem sofre da Síndrome de Burnout, não percebe que está passando por todas essas fases, afinal, a pessoa está imersa nas questões profissionais. Geralmente, a leitura deste comportamento é feita por amigos, familiares e principalmente pelos colegas de trabalho.

Por isso, ao identificar algum sinal de desequilíbrio tente conversar ou oriente que a pessoa busque auxílio com o RH da empresa ou com um psicólogo de sua confiança. 

Como tratar a Síndrome de Burnout

O tratamento para Burnout deve iniciar-se através da prevenção, usando recursos como: gerenciamento de tempo, autoconhecimento e capacidade de desconectar do trabalho.

Essas medidas que, por ora, parecem ser de competência apenas do trabalhador que vive a crise da Síndrome do Esgotamento, receberão outro cenário a partir de 1 de janeiro de 2022, quando Burnout deixará de ser um transtorno e irá integrar o quadro de doenças ocupacionais segundo a OMS.

  • Palestras educacionais sobre saúde mental.
  • Plano psicológico para os funcionários.
  • Roda de conversa.
  • Treinamento para líderes e gestores lidarem com maturidade e cordialidade com o time.
  • Estratégia de atividades.
  • Ambiente saudável.
  • Pesquisas de clima.
  • Prazos possíveis.
  • Disponibilidade para dialogar com cargos de liderança do time.
  • Respeito a jornada de trabalho.
  • Apresentação de indicadores.
  • Educação e respeito entre os colaboradores.

Os tópicos acima são alternativas que reduzem a possibilidade de empregados desenvolverem o transtorno. Por isso, é importante que as organizações fiquem atentas aos cenários, queixas e estimulem atividades preventivas.

O que muda com a nova classificação de Burnout na OMS?

Até o momento, por mais que os fatores que desencadeiam a Síndrome de Burnout fossem oriundos do trabalho, o empregador era o responsável por desenvolver o transtorno. 

Com a nova classificação realizada pela OMS, fica claro a influência direta e indireta que as empresas possuem com a saúde dos trabalhadores. 

Sendo assim, as organizações irão precisar se atentar a saúde dos funcionários e as relações de trabalho como um todo. 

Por se tratar de uma doença ocupacional, empregadores que recorrerem a justiça, comprovando o esgotamento da saúde mental em razão do trabalho, poderão receber indenização paga pela empresa. 

Na esfera judicial as empresas irão ser responsabilizadas conforme as comprovações dos laudos médicos apresentados por seus colaboradores. 

No entanto, não é caso de se tirar proveito. A responsabilidade da empresa, dar-se-á conforme qualquer uma outra ação judicial: mediante provas concretas, testemunhas, comparações, laudos e atestados médicos que comprovem a condição. 

A partir de 2022 as empresas que não adotarem medidas de prevenção, análises de bem estar e saúde para os colaboradores, não somente correm riscos de ter funcionários acometidos pela doença, como também ter grandes prejuízos financeiros e históricos com a imagem da empresa. 

OMS divulga Burnout no quadro da CID 11

A CID 11 é o código médico utilizado para classificar transtornos mentais, dentre eles o autismo adulto e infantil, a Síndrome de Rett, a Síndrome de Asperger, o transtorno de hipercinesia e a partir de janeiro de 2022 a Síndrome de Burnout tamém integrará a CID deste quadro.

Ter este conhecimento reforça ainda mais a importância de cuidar da saúde mental na vida profissional. Respeitar limites, horários e demandas podem contribuir para a um colaborador saudável e consequentemente uma empresa melhor. 

Fui diagnosticada com Burnout e agora?

Pois bem, se você recebeu o diagnóstico de Burnout, é hora de desacelerar. Pratique atividade fisicas, se alimente bem, se hidrate, tenha menos contato com estimulos de luz azul, durma cedo e reflita o que você pode fazer para ficar menos sobrecarregado (a).

Neste momento busca a ajuda de um psicólogo e psiquiatra podem auxliar no tratamento e claro, busque conversar com seus líderes na empresa, as possíveis condições que puderam desencadear a doença em você. 

Identifique se foi carga horária extensa, ansiedade, insegurança, relações de abuso ou estafa mental e busca formas de gerenciar isso, para que essas condições não continuem presente na suas atividades e se tornem gatilhos para crises futuras. 

Como ficar distante da Síndrome de Burnout?

Em alguns momentos da vida profissional, é comum um aumento de estresse e um maior número de demandas rotineiras. Como já citamos, se esses fatos aconteces de maneira exporádica, está tudo certo, é um processo comum da vida.

No entanto, se você perceber um desgaste maior, um cansaço constante e maior irritabilidade, é melhor rever sua rotina. Por isso, para ajudar você a se manter com a saúde emocional saudável, preparamos pequenas dicas que podem fazer grande diferença na sua qualidade de vida e te manter distante da Síndrome de Esgotamento Profissional. Por exemplo:

  • não tenha medo de pedir ajuda;
  • não se compare;
  • não romantize a sobrecarga;
  • desconecte-se;
  • seja positivo, mas saiba lidar com os momentos complicados sem se apavorar;
  • entenda que você é uma pessoa e não um robô;
  • tenha uma vida além do trabalho;
  • faça acompanhamento psicológico;
  • mantenha sua saúde em bom estado;
  • cuide-se. Burnout tem cura!

Ficou alguma dúvida sobre o nosso artigo e sobre este tema que econtra-se presente em grande parte das empresas? Se sim, deixe aqui nos comentários.

Feito por: Manuelle Meira – Colaboradora da Ius Natura

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