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Dia da Amazônia

Meio Ambiente

No dia 5 de Setembro, comemora-se o dia da Amazônia em razão da criação da Província do Amazonas por D. Pedro II em 1850, mas o fato é que o dia foi oficializado pela Lei nº 11.621, de 19 de dezembro de 2007.

Entretanto, a história dessa imensa floresta é muito mais antiga que a criação dessas leis: a Amazônia tem aproximadamente 2,5 milhões de anos! O bioma alberga a maior floresta tropical do mundo, com 6.700.000 km², estendendo-se por vários países da América do Sul.

A maior entre as maiores também é detentora de uma biodiversidade sem igual! Para que tenhamos uma ideia de sua grandeza, cerca de 20% de toda a fauna do planeta está na Amazônia.

Isso nos dá uma enorme responsabilidade e um senso de respeito para com esse bem imaterial da humanidade, ou pelo menos deveria ser assim.

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A Amazônia e sua importância global

A cada ano, as florestas tropicais do mundo armazenam menos e menos carbono, devido a sua significativa diminuição ao redor do globo. A floresta Amazônica influencia nas dinâmicas climáticas globais, indo muito além do que podemos ver em primeiro plano.

Ao sequestrar carbono da atmosfera, as plantas armazenam-no em suas árvores, na forma de madeira.

Soa maravilhoso, não? Mas isso pode ter um efeito adverso. A queima e destruição desta mesma vegetação libera grande quantidade do mesmo dióxido de carbono na atmosfera. Por causa da destruição da floresta nos últimos 40 anos, a Amazônia agora emite mais carbono do que ela pode absorver. 

Os rios no céu: como a umidade da Amazônia chega à Califórnia

Todos os anos, nos meses de junho, julho e agosto, quando é verão no hemisfério norte, vemos imagens apocalípticas de incêndios na Califórnia e em outros estados da costa oeste dos EUA. Diariamente, a Amazônia lança na atmosfera cerca de 20 biliões de toneladas de água através da evapotranspiração de sua vegetação.

Com a destruição da floresta, esse número se reduz e não leva umidade suficiente para o hemisfério norte, através das correntes de ar, o que provoca secas severas e queimadas potencialmente destrutivas

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Crescimento econômico e preservação

A grande extensão desta floresta e as riquezas imensuráveis ali presentes são também essenciais para o desenvolvimento e avanço da nossa sociedade.

Devido a isto, a floresta Amazônica vem sofrendo muito com a interferência humana, em atividades como a agroindústria, pecuária, hidrelétricas, extração de madeira (legal e ilegalmente) e a mineração.

Não podemos negar a importância destas atividades para a economia do país, mas qual seria o limite sustentável, para que esta interferência não volte contra nós mesmos?

RENCA: o que é

É com esta pergunta que uma grande discussão veio recentemente à tona. O Decreto 9.142/2017, aprovado pelo presidente Michel Temer, extinguiu neste 23 de Agosto a Reserva Nacional de Cobre e Associados (Renca), localizada nos Estados do Pará e do Amapá. A Renca é uma área preservada equivalente ao território do Espírito Santo ou Dinamarca.

Como justificativa o Governo diz que a extinção Renca não afetaria Unidades de Conservação que ali se encontram, além de coibir a exploração ilegal que já afeta esta área da Amazônia, estabelecendo sob o controle Estatal a “administração racional e organizada de jazidas minerais importantes, que demandam pesquisas e exploração com alta tecnologia.”

Vale ressaltar que a Renca não se trata de uma reserva ambiental, mas sim uma reserva de resguardo para uso econômico, possuindo grandes jazidas de minério de ferro, ouro e manganês.

Ainda assim, a forte repercussão popular negativa quanto a aprovação deste Decreto fez com que a Justiça do Distrito Federal, em deferimento parcial de liminar, suspendesse todo e qualquer ato administrativo relacionado a extinção da Renca. Conforme afirma O Ministério Público a área permitida pelo Decreto 9.142/2017 à atividade de mineração equivale a mais do que todo o desmatamento na Amazônia nos últimos quatro anos.

Aqueles que são contra a extinção da Renca, afirmam que, mesmo que não afete diretamente as áreas protegidas, a presença de grandes mineradoras e da agropecuária nestes locais faria grande pressão para que pudessem avançar cada vez mais a sua exploração, possibilitando que alcançassem Unidades de Conservação e terras indígenas, por exemplo. Além disso, os grandes impactos gerados por estas atividades, principalmente a mineração, é capaz de afetar toda sua redondeza, podendo impactar nas áreas protegidas.

Outro ponto importante utilizado na defesa de permanência da Renca também é utilizado por quem defende sua extinção, a exploração ilegal. Segundo o governo a sua presença e a presença de empresas legalizadas intimidaria os grileiros e garimpeiros ilegais. No entanto, alguns ambientalistas afirmam que ocorrerá exatamente o contrário; a presença de mineradoras serviria como um atrativo a garimpeiros que buscam fazer riqueza, que atuam ao redor das áreas onde mineradoras se instalam.

Este é um debate bastante polêmico. Há quem defenda a extinção da Renca, visando o desenvolvimento econômico e afirmando que os impactos ambientais seriam justificáveis, podendo inclusive afugentar as explorações ilegais que ocorrem nesta área.

Do outro lado quem defende a permanência da Renca, afirma que o avanço econômico não seria compensatório pelo imenso dano ambiental que esta abertura poderia causar. Resta a cada um de nós aproveitar este dia de reflexão sobre a preservação da nossa floresta e debater exaustivamente o tema.

Sendo contra ou a favor da extinção da reserva, o que temos que ter em mente é que esta é uma decisão que não pode ser tomada apressadamente, é um assunto delicado que deve ser amplamente discutido com especialistas e toda a sociedade.

Por Felipe Lafetá.

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